Morte de criança na Itália expõe falhas no transporte de órgãos e transforma tecnologia brasileira em esperança global

Sistema Taura, da Biotecno, promete reduzir rejeição em até 70% e acelerar recuperação em UTIs, reposicionando o Brasil como produtor de tecnologia crítica em transplantes

A morte do pequeno Domenico, de apenas 2 anos, na Itália, reacendeu o alerta global sobre os riscos logísticos envolvidos no transporte de órgãos para transplante. A criança faleceu no último sábado após receber um coração danificado durante o transporte, em um caso que está sob investigação judicial e mobilizou autoridades, líderes políticos e a opinião pública internacional.
Segundo informações divulgadas pela BBC, o órgão percorreu mais de 800 quilômetros entre Bolzano e Nápoles em um contêiner inadequado, em contato direto com gelo seco e sem monitoramento de temperatura. O tecido teria sofrido danos por congelamento, comprometendo a viabilidade do transplante. Domenico permaneceu internado por quase dois meses e sofreu uma piora clínica irreversível, e o episódio levou a família a pedir ajuda ao Papa, além de provocar manifestações públicas da primeira ministra Giorgia Meloni e do ministro da Saúde italiano, que cobraram esclarecimentos e responsabilização.

“O caso expôs um ponto crítico da cadeia de transplantes, que é a logística térmica. Em procedimentos desse tipo, minutos e variações de temperatura podem definir a longevidade ou a perda de um órgão viável, e os métodos tradicionais baseados em gelo oferecem uma janela limitada de segurança, além de apresentam riscos operacionais”, afirma Lídia Linck, CEO da Biotecno, empresa brasileira que desenvolveu o sistema Taura de transplante de órgãos.

Segundo ela, o Taura foi projetado para transportar órgãos sólidos, como coração, fígado e rins, em condições térmicas controladas, com monitoramento contínuo e sem contato direto com gelo. “É uma tecnologia 100% nacional que começa a ganhar destaque internacional como alternativa disruptiva para evitar tragédias semelhantes como a que ocorreu na Itália, pois o sistema reduz em até 70% a rejeição do órgão transplantado e diminui o tempo de recuperação em unidades de terapia intensiva. Diferentemente dos métodos tradicionais, que mantêm a segurança por cerca de duas horas, o Taura preserva o órgão a 6 graus Celsius por até dez horas, ampliando a janela de transplante e reduzindo riscos logísticos”, explica.

Recentemente, o equipamento foi fundamental em dois transplantes pediátricos em situações críticas. Um menino de 1 ano e 8 meses recebeu um coração com suporte do sistema, e nesta semana uma criança de 8 anos passou por transplante de órgão com auxílio da tecnologia e conseguiu ser extubada em apenas 8 horas, tempo considerado recorde dentro das previsões clínicas.

“O que diferencia o equipamento desenvolvido é a utilização de baterias VRLA, que não apresenta risco de combustão e são homologadas para aviação comercial, além de um sistema que dispensa o uso de gelo e exige, apenas, calibração térmica obrigatória, o que garante previsibilidade durante o transporte”, ressalta a CEO.

De acordo com Lidia Linck, cada unidade custa aproximadamente 35 mil reais e é comercializada em pares, como medida de segurança, com vida útil estimada entre cinco e seis anos. “O modelo contrasta com soluções descartáveis adotadas nos Estados Unidos e na Europa, cujo custo gira em torno de 5 mil dólares por unidade.

Optamos por um caminho sustentável, com tecnologia reutilizável e suporte técnico permanente”, afirma.
Para a CEO da companhia, a discussão levantada pelo caso italiano evidencia a urgência de soluções tecnológicas confiáveis. “Em saúde, falhas operacionais não são abstrações, pois elas colocam pessoas em risco e o nosso objetivo é reduzi-lo onde ainda existe. Quando um órgão chega em melhores condições, as chances de sobrevivência deixam de ser estatística e passam a ser realidade”, afirma.

A adoção do Taura em centros brasileiros tem mostrado impacto direto no pós operatório. De acordo com Juglans Souto Alvarez, cirurgião especialista em transplante cardíaco e assistência circulatória mecânica, com atuação no Canadá e nos Estados Unidos por duas décadas e agora diretor cirúrgico para o programa de transplantes do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, o tempo e a qualidade de recuperação pós-operatórios são muito melhores com a tecnologia, impactando custos hospitalares e prognóstico dos pacientes. Também torna possível a ampliação da área geográfica para captação de órgãos, com cobertura de todo o território brasileiro. Algo que vai melhorar os índices de aproveitamento dos corações doados “Em resumo, melhor preservação por um tempo maior. Os corações doados poderão ficar mais tempo preservados em parada cardíaca, entre a captação e o implante. O limite antigo de 4h é modificado para mais de 6h, com segurança”, diz ele.

No Brasil, o Taura já foi usado em mais de 20 transplantes. Os resultados replicam o que a tecnologia de preservação de órgãos para transplante sob temperatura controlada tem mostrado também na América do Norte e alguns países da Europa.
No Brasil, a técnica se prepara para ganhar novas proporções com a confirmação da patente do Taura. “O caso de Domenico, embora trágico, reforça a necessidade de protocolos mais seguros.

Quando recebemos retornos sobre o uso do Taura ter sido efetivo comemoramos porque são famílias que confiam na eficácia do nosso sistema e trabalhamos sempre com isso em mente”, conclui Lídia.

Sobre a Biotecno
Fundada em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, a Biotecno atua há mais de 25 anos no desenvolvimento de soluções de refrigeração científica e logística térmica aplicada à saúde. A empresa ganhou projeção nacional durante a pandemia da Covid 19, quando um de seus equipamentos armazenou a primeira dose de vacina aplicada no Brasil. Atualmente possui cerca de 17 mil equipamentos em operação no país e no exterior.

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Pós-venda, inovação e propósito: como a Biotecno transformou confiança em diferencial competitivo

Em entrevista ao programa Divã de CNPJ, do Canal UOL, a diretora da Biotecno, Lídia Linck, compartilhou a trajetória da empresa, os desafios de atuar em áreas críticas da saúde e a visão que sustenta um dos maiores parques de equipamentos de refrigeração científica do país.

Há 25 anos, a Biotecno desenvolve soluções para conservação de vacinas, medicamentos, amostras biológicas e órgãos para transplante. Mais do que fabricar equipamentos, a empresa construiu sua reputação sobre um princípio simples: quando vidas dependem da tecnologia, não existe espaço para falhas.

Foi justamente esse tema que norteou a participação da diretora da Biotecno, Lídia Linck, no programa Divã de CNPJ, apresentado por Facundo Guerra no Canal UOL. Durante a entrevista, Lídia destacou como a empresa encontrou no pós-venda e na assistência técnica especializada um diferencial capaz de sustentar seu crescimento em um mercado altamente exigente.

O relacionamento começa após a venda

Ao contrário do que acontece em muitos segmentos, a venda de um equipamento científico representa apenas o início da jornada com o cliente.

Segundo Lídia, equipamentos destinados à conservação de materiais críticos precisam operar com máxima confiabilidade durante muitos anos. Por isso, a Biotecno estruturou uma ampla rede de assistência técnica, investindo continuamente em treinamento, disponibilidade de peças, suporte remoto e atendimento humanizado.

Hoje, a empresa possui mais de 17 mil equipamentos instalados no Brasil e em outros países, o que exige uma estrutura robusta para garantir suporte técnico rápido e eficiente em diferentes regiões.

Quando a tecnologia ajuda a salvar vidas

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi a reflexão sobre a responsabilidade envolvida em aplicações ligadas ao transplante de órgãos.

Lídia destacou que, em situações como o transporte de um coração para transplante, cada minuto e cada grau de temperatura fazem diferença. Nesses cenários, a confiabilidade dos equipamentos deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ser um fator diretamente relacionado à preservação da vida.

Essa visão também inspirou o desenvolvimento do TAURA, solução criada pela Biotecno para o transporte ativo de órgãos, oferecendo controle contínuo de temperatura, monitoramento de dados e maior segurança durante todo o percurso.

Pessoas antes da tecnologia

Outro aspecto ressaltado durante a conversa foi a importância do fator humano.

Para a Biotecno, formar uma rede de assistência técnica eficiente vai além da capacitação técnica. Os profissionais precisam estar preparados para atuar em ambientes hospitalares, lidar com equipes médicas sob pressão e compreender a relevância da missão que desempenham diariamente.

Essa cultura de atendimento tem sido uma das bases para a construção de relacionamentos duradouros com hospitais, laboratórios, clínicas, universidades e centros de pesquisa em todo o país.

Inovação com propósito

Ao longo de sua trajetória, a Biotecno consolidou uma cultura voltada à inovação, investindo no desenvolvimento de tecnologias nacionais capazes de atender às demandas mais críticas da saúde.

A empresa também ampliou sua atuação por meio de sistemas de monitoramento remoto, diagnósticos à distância e manutenção preventiva programada, reduzindo riscos operacionais e aumentando a segurança dos equipamentos instalados.

Mais do que acompanhar tendências tecnológicas, a Biotecno busca desenvolver soluções que contribuam efetivamente para a preservação da vida, da pesquisa científica e da qualidade dos serviços de saúde.

Uma história construída com propósito

A participação de Lídia Linck no Divã de CNPJ reforça um dos valores que acompanham a Biotecno desde sua fundação: tecnologia só faz sentido quando está a serviço das pessoas.

Em um setor onde a confiabilidade não é uma opção, mas uma necessidade, a empresa segue investindo em inovação, suporte técnico e relacionamento com clientes para cumprir sua missão de conservar o que há de mais importante: a vida.


Assista à entrevista completa

A entrevista de Lídia Linck ao programa Divã de CNPJ, do Canal UOL, está disponível na íntegra no YouTube:

Assistir entrevista completa no Canal UOL

Avanço na preservação de corações amplia as chances de transplante para pacientes na fila de espera

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil permitiu que corações destinados a transplante fossem transportados por mais de seis horas e percorressem mais de 1.000 quilômetros, garantindo presevação segura e boa função do órgão transplantado, segundo estudo apresentado nesta semana durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, em João Pessoa (PB).

Os resultados confirmam que essa modalidade de preservação ajuda a enfrentar um dos principais desafios do transplante cardíaco no país, nas questões das distâncias entre doadores e receptores e na estabilidade da temperatura numa faixa benéfica às celulas do orgão. Em 2025, o Brasil realizou 427 transplantes cardíacos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes. Apesar do crescimento da atividade transplantadora, os procedimentos permanecem concentrados em poucos centros especializados e sete estados brasileiros não registraram nenhuma cirurgia desse tipo ao longo do último ano.

Na prática, isso significa que pacientes e órgãos frequentemente dependem de deslocamentos de centenas ou até milhares de quilômetros para chegar aos hospitais habilitados. Nesse contexto, aumentar o tempo seguro de preservação dos órgãos pode ampliar as possibilidades de compatibilização entre doadores e receptores.

A modalidade de preservação  em faixa controlada já está disponível em outros países há mais de cinco anos. Os dispositivos existentes, validados e disponíveis comercialmente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e alguns países europeus e do Oriente Médio, são de natureza descartável. O custo varia entre 10 mil a 25 mil dólares por caso,  valor inviável para a realidade do sistema brasileiro de transplantes, onde o pacote para todas as despesas de um transplante fica abaixo de 20 mil dólares (em torno de 100 mil reais). A tecnologia desenvolvida no Brasil foi concebida para ser reutilizável por centenas de transplantes, com vida útil de pelo menos cinco anos. O que reduz consideravelmente o custo por transplante comparado aos dispositivos estrangeiros. 

A pesquisa avaliou os primeiros 27 transplantes cardíacos realizados com a tecnologia Taura, desenvolvida pela empresa gaúcha Biotecno, que utilizou o equipamento em mais de 50 transplantes realizados em três centros brasileiros.

Os dados foram apresentados pela cirurgiã cardiovascular Thamy Palacios, sob orientação de Juglans Alvarez, diretor cirúrgico do Programa de Transplantes Cardíacos do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, em trabalho desenvolvido em parceria com o Instituto do Coração da USP (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), sob a tutela dos médicos Samuel Steffen e Fabio Jatene.

Atualmente, a medicina trabalha com uma janela de aproximadamente quatro horas entre a retirada do coração do doador e o implante no receptor. No estudo brasileiro, destacadamente, alguns casos ultrapassaram seis horas de isquemia fria, período em que o órgão permanece sem circulação sanguínea, sem acarretar impacto clínico prejudicial após o transplante.“Os resultados iniciais mostram que conseguimos aumentar significativamente o tempo de preservação mantendo estabilidade térmica e bons resultados clínicos. Além disso, tivemos menos insuficiência ventricular direita, comum nos órgãos preservados em gelo.   Isso permitiu ampliar a área de captação e buscar órgãos em distâncias maiores”, afirma Juglans Alvarez.

O trabalho foi realizado no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul e no InCor, atualmente dois dos três centros brasileiros que utilizam a tecnologia de forma sistemática. Durante todos os procedimentos avaliados, a temperatura dos órgãos permaneceu estável entre 4°C e 8°C, sem episódios de congelamento ou oscilações fora da faixa considerada ideal para preservação. Todo o período de preservação é registrado e documentado. 

Outro dado relevante foi a distância percorrida pelos órgãos. Os trajetos entre doadores e receptores ultrapassaram 1.000 quilômetros. Em quase um terço dos casos analisados, os corações foram captados a mais de 500 quilômetros do hospital transplantador.

O impacto na fila de transplantes também tem sido revolucionário. O tempo de espera no Instituto de Cardiologia do RS baixou drasticamente. Hoje, quem entra em fila, tem seu coração transplantado em menos de 30 dias e a mortalidade zerou. “Ninguém faleceu por não ter conseguido um coração para transplante. Hoje, considerando a nova realidade, o Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul pode receber mais ofertas do que o número de pacientes em lista, ou seja, se houvessem mais pacientes, mais transplantes teriam sido realizados. Muito relevante apontar que esses números colocam qualquer programa de transplante cardíaco na vanguarda. Os melhores centros mundiais têm mortalidade em lista de espera entre 5 e 10% e tempo de espera em fila entre 3 e 6 meses”, diz o cirurgião.

A tecnologia Taura utilizada no estudo emprega controle ativo de temperatura e monitoramento contínuo durante todo o transporte. Diferentemente dos métodos convencionais baseados em gelo, o sistema mantém o órgão dentro de uma faixa térmica estável, reduzindo riscos associados ao congelamento ou às oscilações de temperatura. O equipamento também oferece rastreabilidade em tempo real das condições de preservação e do trajeto percorrido.

“O Brasil possui dimensões continentais e isso sempre representou um desafio para a logística dos transplantes. Quanto maior a previsibilidade e a estabilidade durante o transporte, maiores são as chances de conectar um órgão disponível ao paciente que aguarda na fila”, afirma Lídia Linck, CEO da Biotecno.

Segundo os pesquisadores, os resultados clínicos observados são excelentes. A incidência de disfunção primária do enxerto foi de 7,4%, enquanto a mortalidade em 30 dias ficou igualmente em 7,4%. Apenas um paciente necessitou de suporte circulatório mecânico com ECMO após o transplante e apresentou recuperação satisfatória. “São números claramente superiores à média histórica dos transplantes cardíacos no Brasil e em consonância com os melhores resultados internacionais”, afirma Alvarez.  

Embora os autores ressaltem a necessidade de estudos prospectivos com um número maior de pacientes, a experiência inicial sugere que o aumento do tempo e a qualidade de preservação representam avanço revolucionário para os transplantes cardíacos no Brasil. “Em um sistema onde cada hora influencia diretamente a viabilidade do órgão, ganhar horas adicionais de excelente preservação significa mais oportunidades para pacientes que aguardam um coração na fila de transplantes”, conclui Alvarez.

Biotecno fortalece presença no Incor com tecnologia inovadora para transplantes

A diretora da Biotecno, Lídia Linck, visitou o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, referência em cardiologia na América Latina. Durante a visita, o cirurgião Samuel Padovani Steffen e o biomédico Carlos Eduardo da Silva Imberg destacaram a relevância do dispositivo Taura na homogeneização e preservação de tecidos, ressaltando sua eficiência, inovação e o fato de ser uma tecnologia desenvolvida no Brasil, que já vem sendo utilizada nos transplantes realizados pela instituição.

No dia 9 de abril, a diretora da Biotecno, Lídia Linck, realizou uma visita institucional às instalações do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Reconhecido como o principal centro de cardiologia e cirurgia cardiovascular da América Latina, o Incor é referência em excelência clínica, inovação e pesquisa na área da saúde.

Durante a visita, o chefe do Setor de Cirurgia Cardiovascular do Incor, Samuel Padovani Steffen, e o biomédico Carlos Eduardo da Silva Imberg, especialista em captação de múltiplos órgãos para transplante, destacaram a importância do dispositivo Taura na homogeneização e preservação adequada dos tecidos. Segundo o Dr. Samuel Steffen, o Taura consolidou-se como uma alternativa viável e tecnologicamente avançada, com o diferencial de ser desenvolvido por uma empresa brasileira, superando dispositivos importados, que são descartáveis.

O dispositivo Taura, recentemente lançado pela Biotecno no mercado brasileiro, já integra os procedimentos de transplante realizados pela instituição. Sua adoção reforça o compromisso do Incor com a incorporação de soluções inovadoras que contribuem para a segurança e a eficiência nos processos de preservação e transporte de órgãos.